terça-feira, 12 de maio de 2009

O Destemido


- Entra!
- Acho que não!
- Vamos, entra!

O mar estava grande, as ondas mostravam toda sua força e mastigava a areia em grãos ainda menores. A água estava escura com uma espuma branca opaca que remexia toda a superfície.Nublado. Não, não estava nada convidativo, o mar não pedia para ninguém lhe dar um abraço.
Mas para ele e alguns, é como se uma força lhe chamassem.

- O quê, assim é que está bom! - dizia aos amigos.
Aquele seria um mergulho que fariam seus músculos enrijecerem, seu instinto ficava alerta e se deslumbrava a cada onda. O coração, com certeza, calmo não estava, mas lá no fundo ele sabia que tinha que estar lá. Não temia nada, seu olhar era de total controle sobre aquele ser incontrolável.
Ele entrou.
Mergulhava, desaparecia, reaparecia...pipocava na água. A diversão estava garantida. Na praia as pessoas observavam mais que relaxavam.
Mas algo estava fora do lugar, a areia, a maré ou mesmo as pessoas.
Após algumas horas, já se acostumando ao barulho que ecoava do estrondo das ondas começou um tenso burburinho:
- Você o viu?
- Olha, é ele lá!
Neste momento uma onda enorme estoura.
- Não é ele, aquele é outro!
- Cadê o cara?
- Meu Deus, ele sumiu!
As pessoas se aglomeraram para unidas acharem uma solução. Quem entraria naquele mar. Todas falavam ao mesmo tempo. Viam o que não existia mais.
- Chama o salva-vidas!
- Eu vi, eu vi as costas dele!
- Onde?
- Ah, não é ele!
Com as vozes trêmulas e um fundo de certeza todo mundo sabia que o destemido havia afundado em sua coragem.

2 comentários:

  1. ...em sua coragem ou quem sabe, em sua verdade. E o texto nos deixa a deriva, fustigando-nos a entrar nas águas quando mais seguro seria observar de longe o espetáculo das ondas.

    Lindo. Bjos, Ana

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  2. Só quem se arrisca, enfrenta o mar. Abraça o mar. A incerteza do profundo. Não estava lá, pois era outro, com certeza...

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